Pró ano é que é!

fviegas


Como já vem sendo habito este grupo de amigos que forma a equipa do Era o que faltava! reuniu-se para mais uma passagem de ano. O grupo quase estava completo, apenas uma excepção, um amigo que dizem, foi para a Argentina. Os restantes compareceram ao mais alto nível num hotel onde foram alugados dois apartamento para a festa que se avizinhava. Desta vez para, e para que nada corresse mal, até se comprou um gato da sorte chinês com a patinha “a dar a dar”, disse a senhora que o vendeu que aquele gesto significa “dinheirinho para casa”.

1º Acto

Vindos dos mais diversos locais já nos encontrávamos todos presentes e o jantar ia para o lume. O telefone toca, era da recepção do hotel, tinham dado conta de que haviam demasiadas pessoas naqueles dois apartamentos. Instalava-se uma espécie de pânico-humorístico, o pensamento mais comum era: “deixa ver o que isto vai dar”. Após conversações com os responsáveis do hotel a conclusão é de que estão cinco pessoas a mais. Solução apresentada, alugar mais um apartamento (200 e tal euros) onde ficariam 3 pessoas e abria-se uma excepção quanto aos outros apartamentos, podendo permanecer em cada um deles uma pessoa “a mais” (20€/noite). Ali em 15 min fechávamos 2009 com perto de 400 euros ardidos sem mais nem menos.
Era o que faltava! Segunda vaga de negociações, com novos intervenientes, e uma vez que a comodidade só é importante até certo ponto, mostrou-se aos senhores que os seus apartamentos T2 podem alojar confortavelmente 7 pessoas, nem eles imaginavam, bastou para isso pagar 20€/noite por cada pessoa adicional. Menos mal, assim foi, o pagamento da segunda noite ficou acordado para a respectiva, não fosse alguém ganhar um pass VIP numa cama de hospital e assim pagaríamos para nada. Hora de jantar!

2º Acto

Uma vez terminado o jantar, hora da sobremesa, viola e jambé a bom toque regada com whisky, havana club, moscatel, cerveja e afins, a noite vai dando lugar à madrugada e as gargantas não secam, quando se deu conta já batiam as 3 da manhã. Altura indicada para sair, procurar um bar ou uma esquina onde houvesse movimento. Para surpresa geral, um deserto chuvoso e frio era o que nos esperava, alguns casais voltavam para “o quentinho” do apartamento e os restantes começavam a ponderar a mesma escolha. Salva-se a noite com a aparição de Nossa Sra. de Fátima ou algo do género, pois durante alguns metros só ouvia gritar: “Oh, Dona Fátima!!!”, presumo que era Nossa Sra.
Era o que faltava voltar para apartamento, assim, fica o Eraoquefaltava.com um convidado de luxo, uma divindade, um Santo(s).
Guardados por esse Santo(s), entramos numa espécie de bar, que mais parecia uma estação de serviço tipo BOMIL onde travámos conhecimento com o dono, um tal de Ricardo que nos pareceu não ser grande apreciador de música, sobretudo de realejos. De qualquer forma mostrou-se um senhor muito simpático, oferecendo (sem dar conta) uma caneca para a nossa colecção lá de casa, e expulsando-nos da sua BOMIL de forma simpática, “vah pessoal, têm que me pagar isto que vou fechar”, empunhando o ticket com a nossa conta em direcção a nós enquanto à sua frente entrava mais um casal para consumir algo. Daqui vai um abraço para o grande Ricarlos BOMIL, assim ficou carinhosamente baptizado.
Regresso ao hotel, onde discretamente era feita uma contagem ao pessoal, bebeu-se mais qualquer coisa e no meio de todo aquele silêncio, um visitante inesperado, o Sr. da Recepção vestido de pinguim advertiu: “Rapazeada, assim não pode ser, não podem fazer tanto barulho”. Passado pouco tempo; Hora de deitar!

3º Acto

Dia 31 de Dezembro, 15 horas, o telefone toca, era da recepção do hotel, a direcção do hotel manda informar que não tem outro remédio a não ser expulsar-nos. Segundo eles, tinham havido muitas queixas devido ao barulho que tínhamos feito e que, para além disso, estavam pessoas a mais nos apartamentos. Instala-se novamente um pânico-humorístico. Em pouco mais de 12h, era já a segunda vez que havia “confusão”. Ser expulso?! Era o que faltava!
Nova vaga de negociações, desta vez a puxar mais para o coração e para as promessas, e com direito a tratamento VIP, falar directamente com a direcção do hotel. Pedem-nos que aguardemos até, no máximo,até às 18h para saber o veredicto. Todos esperam expectantes pelo toque do telefone, até que, por volta das 17 horas ele toca. Sim sr., podem ficar, não podem fazer tanto barulho e vai haver uma vistoria aos apartamentos. Vistoria?! Então e o que é que se faz ao placard de aviso de chão molhado que veio parar, sabe-se lá como, ao apartamento na noite passada? Põe-se aqui, põe-se ali, decidiu-se que o melhor era por no corredor como se nada fosse, mas quando se abriu a porta as senhoras da vistoria já estavam a chegar. Volta para dentro. Acabou por se esconder o dito placard no colo de dois artistas, ficando coberto por um saco-cama que fazia de manta. Apartamentos aprovados!

4º Acto

Chega a meia-noite, comem-se as passas e pedem-se os desejos, não se pedem todos, um fica guardado para o fim dessa noite. Depois do champanhe e do fogo-de-artifício, toda a gente sai para a rua. Ao passar pela recepção do hotel, é-nos desejado Feliz Ano Novo com um sorriso amarelado pelo barulho da noite anterior, parece que um dos desejos que os senhores pediram devia ter a ver connosco. Na rua, todo o grupo pondera aonde ir, sem nunca se chegar a um conclusão, até que aparece uns distribuidores de flyers de uma discoteca, um dos nossos rapidamente se apressa a perguntar “onde fica esta discoteca?”, aproximando o flyer da cara das pessoas a ponto de lhes tocar no nariz. Gente muito paciente lhe explicou para onde se havia de dirigir, e muitos foram os que repetidamente levaram com o flyers no nariz, mas nunca ninguém se “revoltou” com essa atitude, durou horas. Bem informados que estávamos acerca de todos, e mais alguns, caminhos que havíamos de tomar para a dita discoteca, começamos a rumaria. No entanto, o estado de boa disposição era tal que por cada 20 metros andados fazia-se uma paragem de 30min, ora para se meter com alguém, ora para comprar chapéus e até encontramos um cavalheiro que nos quis vender uma amiga. O negócio tomou contornos tais que chegou ao ponto de já nos pagarem para a levar. Com o vento a soprar forte, as quedas eram inevitáveis, mas sem problemas, a aterragem de peitos estava bem treinada e quando um de nós caiu isso ficou comprovado. Quase a chegar à discoteca apercebemo-nos que tinham passado várias horas e que já nem valia a pena entrar. Tentamos o sr. Ricarlos BOMIL, o tal muito simpático das canecas, mas fomos traídos, já havia fechado o estabelecimento. Mais uma vez o destino seria voltar para o apartamento. Era o que faltava!
Rapidamente se encontrou um outro estabelecimento aberto aquelas horas, e ali, passou-se de tudo, desde fumar lá dentro sem permissão, meter molhos nos hambúrguer até ao pulso, mostrar o órgão, até ao grande final, onde viemos mais uma vez a comprovar a simpatia da gente daquela terra. Então não é que nos oferecem (sem dar conta, lá está) mais de metade das imperiais que se consumiram?! Como se não bastasse acabamos com uma foto com o chefe da casa e a oferta de gomas para o caminho. (Ressalvo que as gomas foram mesmo oferecidas). De volta a hotel!

5º Acto

Na recepção, um carinho especial aguardava a nossa chegada, tinham contratado um sr. grande, forte, feio e mau, tínhamos ali um capanga para nos receber. O choque foi tal para dois do grupo que se enganaram no corredor e em vez de seguir para as escadas, seguiram para a sala de refeições, ali uma cesta cheia de pacotes de açúcar colou-se às mãos de um acabando por o acompanhar até lá cima ao apartamento. Mas o tal homem grande, forte, feio e mau, também tinha boa visão e “topou” que algo não estava certo. Voltou então a cesta do açúcar para baixo, com um pedido de desculpas e uma justificação para tal acto, “como me tinham pedido açúcar, eu “naquela da piada” levei isto tudo e perguntei se chegava assim”.
Encerrava a estadia naquele local. Mas tinham ficado dois assuntos por resolver: o pagamento relativo ao excesso de pessoas na segunda noite e o último desejo por “desejar” (desejar um desejo também está correcto, ou não?).

- Quanto ao primeiro assunto: já está, já está, não se fala mais nisso! (só demonstra a simpatia da gente daquela terra).

- Quanto ao segundo, resolveu-se na hora, só não se tinha desejado nas doze badaladas porque era um desejo que ainda se podia concretizar naquela noite e assim não valia a pena estar a gastá-lo desnecessariamente. Assim:

“Que para o ano sejamos expulsos do hotel onde formos fazer a passagem de ano” – seguido de um – “Pró ano é que é!” – de punho cerrado -.

Eraoquefaltava!, na passagem de década, ano, mês, dia, hora, minuto, segundo e na passagem por um hotel onde não mais nos esquecerão!

Não sei se foi coincidência ou o gato deu-nos mesmo sorte, e eu não quero estar aqui a especular sobre o gato, mas um gato vendido na loja dos chineses, conhecido na china como Gato da Sorte, que na base tem uma etiqueta que diz Gato de la suerte, certamente não traz sorte a portugueses!

Mais uma que veste a nossa camisola…

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4 Comentários em “Pró ano é que é!”

  1. O primo do Alberto comentou:

    07 de Janeiro, 2010 às 15:08

    Olá eu sou o primo do Alberto e queria dizer o seguinte. Vocês são uns marotos!!! Mas principalmente que esta senhora é uma Precon… perccccoon… priconconcon… bom, que é uma senhora que não gosta dos chineses… Pronto! Acho muito mal, porque o chinês é uma pessoa que sofre, sofre muito, coitadinho. Dá para ver na cara, anda sempre assim franzindo, olhos meio fechados… Vamos lá, respeitem o chenês….

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  2. Fabio_Nobre comentou:

    07 de Janeiro, 2010 às 20:27

    Já está decidido, para o ano não há Gatinho nenhum, pois se o levamos já nem é pro ano que somos expulsos e ainda levamos dinheirinho para casa…

    Queria aproveitar, para dar uma palavrinha de apreço ao Sr. Ricarlos Bomil.
    - O Sr Ricarlos não se preocupe, pois havemos de voltar, como prometemos, um grande abraço e obrigado pela sua simpatia e pela caneca.

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  3. D.Fátima comentou:

    11 de Janeiro, 2010 às 3:10

    Só queria aqui dizer que cada vez gosto menos de cheneses….. eles levam placards pa casa,eles levam pacotes de açucar,eles berram,eles tocam,eles cantam, eles são mais que as mães e nao querem conforto nem pagar ,eles deixam a portaria sem pinguinetes… E eles não conseguirem ser expulsos”??Então o que há?Quem tem culpa cara**???

    O gatinho chinês !! ele é só sorte !Portanto para o ano não vai !

    Current score: 1
  4. The Poker Face | Era o que faltava! comentou:

    11 de Fevereiro, 2010 às 23:58

    [...] Aos editores do Era o que faltava! deixo aqui a mensagem: Esta casa de pasto localiza-se no Porto, pelo que, o nosso editor que se encontra a fazer-se à vida nessa terra tem a difícil missão de trazer para baixo tamanha iguaria, para a próxima noite de poker, que comemorá o enterro do Gato da Sorte! [...]

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