No sentido figurado…

orange_panther


De há muitos anos para cá, nos primórdios da civilização, que os Homens se tentam comunicar, tornar perceptíveis e evidenciar prespectivas. Com isto, nasceram os fonemas e os dialectos, as línguas e as linguagens, o erudito e o provinciano… Mas tudo isto, criado com uma base: A comunicação!

De que nos serve a Comunicação se as pessoas não nos percebem?

Faço aqui uma analepse ao dia de hoje:
Pela hora de almoço, dirigíamo-nos em grupo para a cantina em busca de algo que nos confortasse o estômago. Um colega meu, dos que falam a linguagem erudita, dirige-se em alto e bom som para a plateia, uma exclamação sobre mim:
- Epa… Ele não pode entrar! Da outra vez que aqui esteve chamou vaca a uma Secretária! Quando entra na cantina, ele transforma-se…

Segunda analepse:
OK. Eu não me lembro muito bem do episódio (e estava sóbrio), mas esta é a minha versão dos factos: estava sozinho na fila da cantina, para almoçar, distraído e a olhar para o telemóvel enquanto a fila (de 10 ou 20 pessoas) não andava. Após dois minutos sozinho e sem andar… A dita senhora mudou-se da fila do peixe, para a fila da carne (que também estava rapidinha naquele dia…). Mantive-me de cabeça baixa e, eis que chega esse meu colega (agora o novo “último da fila”). Metemos conversa cruzada (a dita senhora no meio da conversa).

Versão extendida, do meu colega:
Às páginas tantas, quando estava mesmo, mesmo a chegar a minha vez, a p*ta da velha passa-me à frente. Reacção instintiva: “Vaca do c*ralho!” (eu não ponho em dúvida que o tenha dito, porque era bem capaz, apenas não me lembro…Nem é nada pessoal, contra a senhora… porque se fosse o Presidente Executivo do Conselho de Administração, provavelmente a minha reacção teria sido a mesma… instintiva…)

Voltando aos factos:
O púdico do meu colega ficou chocado por ter chamado “vaca” à senhora, mas à mesa só sabe é falar de trabalho, pretos e paneleiragem. Contudo e conforme referi, a linguagem dele é erudita: usa os termos técnicos do trabalho, usa o termo “indivíduo de cor” para falar sobre pretos e sempre que alguém invoca a palavra “atrás” ele ri-se estupidamente e faz a piada do “é atrás que queres, é?”.

Tudo isto para dizer que…

…Se chamei vaca à senhora (partindo do princípio que chamei… e que chamei mesmo VACA com todas as letras e não outra coisa) era para que ela me entendesse bem… Porque não usei a linguagem mastigada para ofender alguém. “Você é uma pessoa do reino animal da classe bovina!”.. Resumo isto numa: VACA!

Porque sou eu a dizê-lo, é labrego… mas quando o senhor Henrique Granadeiro (PT) diz que se sente “encornado por Rui Pedro Soares” já está tudo bem… Quando o Fernando Nobre (o tal gajo da AMI que quer ser PR e, possivelmente o vai ser…) exclama que “há 500 anos que passámos a viver em regime de masturbação mental” segue tudo normal… Mas pronto.. a mim falta-me classe…

Resumindo

Eu também posso usar palavras caras, rodear a linguagem, e meter folhos e corações cor-de-osa de cada coisa que falo e que escrevo tipo “bovina a senhora, hã?”, “as contas públicas são uma enrabadela orçamental” ou “que o Rui Pedro Soares vive numa frígidez política” … Mas não sou assim e não me apetece agora… Porquê rodear? Voltando ao assunto-chave… A linguagem foi desenvolvida para nos comunicarmos uns com os outros e não só entre alguns!!

Ponto Final.

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3 Comentários em “No sentido figurado…”

  1. O primo do Alberto comentou:

    02 de Março, 2010 às 21:22

    Portanto eu estou de acordo com o que o orange_phanter diz, estas coisas da linguagem é para se usar como se quer, não é preciso abusar, porque para rode(i)os (já que se fala de vacas! «aquele i entre parênteses ficou um bocado esquisito ou é impressão minha?») já chega o sr. Manuel Machado com o seu Manuel Machadês. Penso que se deve ser directo e objectivo e usar palavras que normalmente se utilizam no dia-a-dia, como por exemplo, analepse. “Uma analepse por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!”

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  2. orange_panther comentou:

    02 de Março, 2010 às 21:26

    Citando a penúltima frase do O primo do Alberto: “Penso que se deve ser directo e objectivo e usar palavras que normalmente se utilizam no dia-a-dia, como por exemplo, analepse.” Um, dois, três diga lá outra vez…
    Essa frase foi bué Carlos Cruz!! Mais uma analepse!

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  3. O primo do Alberto comentou:

    02 de Março, 2010 às 21:48

    Olha meu menino, eu não sei se o invocar do nome desse Sr. é apenas uma recordação, ou se será algo mais… Mais uma ANALepse!

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